terça-feira, 17 de abril de 2018

Revolução dos Cravos

Atualmente estou trabalhando em um projeto muito particular, transcrevendo e organizando cartas que meu tio avô enviava lá de Portugal para minha avó aqui no Brasil, entre os anos 1950 e 1990. Estes documentos de valor inestimável abordaram os mais diversos assuntos, desde questões familiares até situações políticas vividas nos dois países. Uma das cartas, datada de maio de 1974, é pautada pela Revolução dos Cravos.

"O povo parece estar contente, pois julga que vai ficar melhor, mas eu não sei o que dizer. Não sei se eram piores os que estavam, se eram melhores, ou se serão estes os piores ou os melhores. Guerras houve sempre e continuará a havê-las sempre, pois diz-se que enquanto houver 2 homens na Terra haverá guerra, porque cada um pensa de maneira diferente. Aguardemos os acontecimentos e oxalá que sim, que seja para melhor e que haja paz e sossego na terra. Que os homens se compreendam uns aos outros e que Deus os ilumine para que tudo corra bem."

O trecho acima, extraído da carta do tio Amândio, foi escrito há 44 anos e, assustadoramente, soa tão atual para mim! A guerra, com todo seu espectro maligno, pouco ou nada muda ao longo história. 

A Revolução dos Cravos deu-se em meados de abril e foi guiada pelas forças militares com o objetivo de depor o Estado Novo (ditadura), que se mantinha no poder por mais de 40 anos ininterruptos. Era um marco na história portuguesa. Os militares lograram em sua empreitada, iniciando um curto processo de implementação da democracia, contando sempre com o massivo apoio da população. O período foi marcado por incontáveis confrontos militares, ocupações, lutas, passeatas e ampla divulgação nos jornais, televisão e rádio. Dois anos depois, em 1976, entrou em vigor na nova Constituição Portuguesa, que perdura até hoje.

A Constituição Brasileira, que também derrubou a ditadura e instaurou a democracia no país, é um pouco menos antiga... Completará 30 anos no final de 2018. É interessante como as duas histórias se assemelham em vários cenários, exceto pelo lado que representava os militares.

Quão precioso é para mim ter estas cartas! Elas fazem parte a história. A minha, a nossa história. Eu não sei, porém, que tipo de carta eu escreveria hoje para abordar informalmente a atual situação brasileira. Seria, sem dúvida, bem mais complexa e depressiva. Que nome daríamos ao evento? Quem sabe no futuro fique conhecido como "O golpe do Supremo"?

   


quinta-feira, 22 de março de 2018

O pão da Páscoa


Folar Trasmontano

Que ovo de Páscoa, que nada. Lá em casa de nossa família, o coelho vai é para o forno! 

Afora o ocasional coelho assado, o que realmente nunca falta à mesa para comemorar esse feriado, é o Folar.





Dona Inocência

Esse pão, fofinho, salgado, a base de farinha, ovos e banha, recebe suculentos pedaços de linguiça, toucinho e outras carnes de porco no recheio. 

Minha avó, dona Inocência dos Anjos, aprendeu com a mãe e deixou para as filhas e netos a sua valiosa receita, lá de Trás-os-Montes.

Símbolo marcante de Portugal na Páscoa, principalmente da região nordeste de Trás-os-Montes e Valpaços, o folar tem seu significado vinculado à amizade e reconciliação. 



Folar [fo-lar]
Substantivo masculino. Do latim, floralis. Do antigo, folore.




Ele pode ser doce ou salgado, variando de região. Em alguns locais, pode ser encimado de ovos cozidos com a casca pintada e enfeitada, o que simboliza vida e nascimento.

Folar Doce

Mas existe uma lenda, de origem desconhecida ali em Portugal, que conta de uma jovem de nome Mariana que tinha desejo de casar-se cedo. Devota de Santa Catarina, Mariana rezou e eis que foi abençoada em seu destino com dois pretendentes: um fidalgo e um lavrador. E então entrou-se no dilema da escolha: tarefa árdua que devolveu à santa para que também lhe providenciasse a ajuda. E ela orava assim:





Minha roquinha esfiada
Meu fusinho por encher,
Minha sogra enterrada,
Meu marido por nascer.
Minha Santa Catarina,
Com devoção e carinho
Tomai-vos minha madrinha,

Arranjai-me um maridinho.


Mariana decidiu-se, enfim, pelo lavrador. Mas andava ainda atormentada com medo de represália do fidalgo. Foi então que voltou a orar por ajuda e viu a imagem de Santa Catarina sorrir-lhe. Em agradecimento, pôs flores no altar, ao pé da imagem e, ao voltar para casa, notou em cima da mesa um bolo com ovos inteiros, rodeado com flores da mesma espécie que tinha ofertado à santa. E também na casa dos dois pretendentes havia o mesmo bolo, com as mesmas flores. Assim, ficaram todos em paz e estado de união. Mariana, claramente, ficou convencida da interceção da santa na causa. 

 
Folar com Ovos
Nas festividades cristãs de Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.
Também se vê neste período festivo o pão sendo servido aos convidados do chamado Compasso Pascal, tradição de um pequeno grupo de paroquianos, acompanhados de um crucifixo que representa a presença de Jesus vivo, em visita casas da vizinhança, abençoando e comemorando a solidariedade e o convívio, profundamente enrizados na sociedade portuguesa neste período do ano. 

 
Eu certamente terei gosto de ensinar ao Dante, se ele quiser aprender, a receita do Folar da dona Inocência para manter viva essa tradição que tanto admiro.
 
Boa Páscoa a todos!

quinta-feira, 15 de março de 2018

Feminismo: Questão de caráter


Você já se perguntou quais os piores momentos para ser mulher? E os melhores?


   
    A pessoa que nasce num lar machista recebe uma criação com valores bem enraizados sobre o distinto papel e os direitos do homem em relação ao papel e os direitos da mulher.

    Pois o feminismo nasceu precisamente da necessidade de combater esse machismo padronizado e majoritário nos lares brasileiros. É a luta por direitos iguais para inserir artificialmente um comportamento que deveria ser natural a todos os cidadãos, e que está previsto até na Constituição Federal do Brasil:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”

    Portanto, até aqui, para quem achava que feminismo é um movimento que defende a superioridade da mulher ou que enaltece a vaidade e a beleza feminina, deve já estar esclarecido, assim espero. Não obstante, eu reforço: o feminismo é o nome dado à causa que defende os direitos e obrigações iguais entre homens e mulheres, a liberdade e independência, e a valorização e o respeito de todos para com as mulheres.

    Bem… Então o cara leu esse parágrafo aí em cima. Concordou, aplaudiu. Ótimo, mas é muito comum observar que o comportamento desse mesmo cara, que acabou de descobrir o que é feminismo, não muda. - Ah, mas eu não sou feminista - diz ele. Então ele realmente não entendeu a explicação. O feminismo não é questão de opção. É questão inquestionável de caráter. Dotes de casamento, diferenças salariais de gênero, cultura do estupro, abandono do pai na gravidez, direito ao voto são exemplos claros de uma sociedade historicamente patriarcal.

    Você já se perguntou quais os piores momentos para ser mulher? E os melhores? Andar sozinha numa rua escura e perceber que tem alguém atrás de você está lá no topo da escala dos piores momentos. O homem, em situação similar, teme um assalto, no máximo. A mulher teme por sua vida, ou pior, a violação de sua intimidade e do seu corpo. Eu, como mãe, digo que o melhor momento para ser mulher é mesmo a maternidade. Mas nem tudo são flores e às vezes até os filhos também nos estressam e cansam, sem falar nos crescentes casos de violência obstétrica nos hospitais brasileiros.
 
   Mas e os piores e melhores momentos para ser um homem? Um estudo realizado em 2010 pelo SESC com a Fundação Perseu Abramo mostrou que a maioria dos homens não vê nada de ruim em ser homem. Percebemos aí o quanto a sociedade alimenta, ao longo da história, a auto-estima e auto-confiança do homem ao assegurar para ele os seus direitos e autonomia.

    É um trabalho incessante este o de, todos os dias, esfregar e arrancar aquela crosta machista do comportamento da pessoa para trazer à tona, e lapidado, o feminismo em seu caráter. Porque o cara (e também a mina) machista, vai continuar com as piadas acerca de gênero, vai continuar com a falta de atenção às tarefas da casa, vai continuar com o abandono das mulheres grávidas (que optam ou não pelo aborto).

    Na semana passada alguns homens, em suas românticas homenagens ao Dia da Mulher, não puderam enxergar que nós não queremos flores ou bombons. Queremos a louça lavada, queremos respeito e segurança, queremos nossos salários iguais aos deles e não temer o retorno ao mercado de trabalho após a licença maternidade, queremos usar a saia curta sem julgamento alheio, queremos ter a auto-estima que eles têm. 









Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo
http://agenciabrasil.ebc.com.br
http://escrevendoumafeminista.blogspot.com.br 












segunda-feira, 12 de março de 2018

Ronrom

  Gato maldito da bruxa… 

  Gato venerado da deusa Freyja...

  Gato mumificado do egípcio...

  Gato sortudo do asiático...

  Gato das 7 vidas...


    É inegável a fama dos gatos na sociedade, e sua história segue paralela à da humanidade desde antigas civilizações, há cerca de 9 mil anos,  rodeada quase sempre de misticismo e espiritualidade. 

  
     Hoje, muito mais presente nos nossos lares, o gato domesticado inspirou pesquisas e estudos sobre o ronronar e seu efeito terapêutico. Comprovou-se que a frequência que varia entre os 25 Hz e 150 Hz do ronronar promove a regeneração dos músculos e dos ossos, além de reduzir o risco de ataque cardíaco, aliviar o estresse, controlar a pressão arterial. 

      Especialista em sono, o gato conserva quantidades 
enormes de energia ao longo de seus momentos 
de descanso. Acredita-se também que o ronronar 
seja um mecanismo que estimula músculos e ossos do próprio gatinho,
sem gastar essa energia. Então, o ronrom é terapêutico para o tutor e para o bichano. 


Este vídeo propõe de forma bem humorada uma terapia anti-estresse através do contato com filhotinhos de gatos. 
Vale o clique! 





Anakin

Pois eu, com ou sem 
ronronar, gateira desde 
minha mais tenra infância,
testemunho em favor dos peludos!

Anakin, meu atual companheiro, que 
é bem ciumento e possessivo,
garante boas horas de carícias e afagos. 

Quem ainda pensa que gato não é fiel 
e nem seja capaz de amar o seu tutor, se engana. 

Eu recomendo: adote um gato. E seja feliz.

















Fontes de pesquisa:



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Da rotina à intervenção



- Tá nervoso porquê? – disse, imponente, o soldado dentro dos seus justíssimos trajes de exercícios.




     Todos os dias da semana eu deixo na escola o meu filho e, na revigorante caminhada da volta pra casa, enquanto o aplicativo do meu celular vai contando os meus quilômetros rodados e calorias perdidas, resta-me tempo suficiente para perceber uma certa rotina: vem o rapaz de bicicleta tentando vencer os obstáculos que não deveriam existir em uma ciclovia colada ao córrego da Avenida Nadir Dias de Figueiredo. Lá, do outro lado da calçada, o senhor com seu irrequieto poodle sempre para e conversa com o borracheiro da esquina enquanto fuma seu cigarro. Aqui do meu lado, o vem e vai dos corredores, maratonistas, aposentados a caminho do Parque do Trote. Vira e mexe alguém me lança um “bom dia”, aliando-me na sua cumplicidade do exercício matinal. Qualquer dia eu entro lá também para prolongar a minha caminhada! E tem também os jovens em roupas sociais, alcançando preguiçosamente o ponto de ônibus com os olhos ainda inchados de sono, a caminho do trabalho no escritório. E o vendedor de sorvetes, magricela, empurrando sem vontade seu carrinho amarelo. Fica um cenário meio que “Show de Truman” nessa rotina que vai cozinhando a paisagem a cada dia.
     Hoje, porém, essa rotina foi quebrada por um grupo de soldados da Guarda Civil, que rapidamente me ultrapassaram correndo enfileirados, e se direcionavam a caminho da entrada do parque. Vinham ritmados pela rua, confiantes e desimpedidos naquele espaço que pertence aos carros. Ali, logo à frente, notei logo que um deles gesticulava um sinal de “pare” com a mão erguida para os carros que se amontoavam no retorno da avenida. Todo esse alvoroço explicava a ausência de trânsito que parecia rara para o horário naquela via.
     Eu me distraí assistindo a todo esse movimento. Foi então que um dos motoristas dos carros, que não visualizava a situação de forma integral, decidiu meter a mão na buzina para tentar fluir em seu caminho. Imediatamente, a reação veio:
     - Tá nervoso porquê? – disse, imponente, o soldado dentro dos seus justíssimos trajes de exercícios.
     Eu não leio pensamentos, não, mas creio que o motorista se arrependeu ao arrancar numa tentativa de ultrapassagem do carro à sua frente, que obedecia bovinamente àquela mão cheia de autoridade do guarda. Misturando uma sensação de injustiça, pelo claro abuso de autoridade do guarda, com o sentimento de embaraço, houve uma breve discussão, interrompida pela ameaça:
     - Vou anotar sua placa!
     - Anota os números, que eu já guardei as letras na cabeça – disse o colega dele.
     Segui meu caminho na última subida em direção à minha casa pensando na cena toda. E na relevância também de tudo isso. Da necessidade de parar o trânsito para se exercitar em plena via de carros. Da impaciência de aguardar o movimento do carro à frente. Vai anotar a placa e reportar o que? Desacato? São duas as versões da história, mas a única relevante é aquela que carrega o peso do poder com sua palavra final e inquestionável.
     E de toda essa observação, retive meu pensamento à cidade do Rio de Janeiro, que atravessa agora mais uma crise inventada pela política em acordo com a mídia, que repete incansável a palavra “violência” diariamente aos telespectadores, neste cenário de intervenção Federal. Se em uma situação cotidiana distante da realidade da guerra já existe tanta violência desnecessária, imagino a carnificina ao se garantir aos militares agir sem o risco de se submeterem a uma Comissão da Verdade. Agirem sem medo de punição, de auditoria.
     Não é difícil de prever um descontrole iminente quando é evidente que esta condição entrega ao militar, sedento de violência, o julgamento de quem é o culpado e de quem deve morrer. Já nem será preciso alegar legítima defesa. Todos os soldados serão seus próprios comandantes e toda decisão prescinde de uma alçada: Ela agora se torna horizontal.



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Tô de volta!

Gente! Que intervalo longo, né?

Eu estava envolvida em projetos culinários que me distanciaram das palavras. E também confesso que a maternidade prolongou esse hiato...

Mas agora eu tô de volta. Fazendo alguns cursos, me atualizando no mercado.
Quero escrever!

Voltar à poesia, claro. Mas também escrever pra você! É! Você mesmo! E o que eu vou fazer?

  • Currículo e carta de apresentação;
  • conteúdo de sites com relevância na densidade de palavras-chave (SEO);
  • convites, folders, banners digitais;
  • cartões de Natal, aniversário, anúncios digitais;
  • cardápios;
  • revisão de texto (para web, livros, cartas e outros).
Vamo que vamo, né, gente?
Em breve eu dou mais detalhes disso, ok?


Até breve!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Contos Inocentes

Quando eu era criança, minha avó, dona Inocência dos Anjos, me contava as mais variadas histórias de lá, de Portugal.

Tinha de todo tipo:

As engraçadas, desenvolvidas e longas. E aquelas de cunho moral no encerramento, curtinhas e pedantes... Tinha também os ditos, que se resumiam a curtas frases que, normalmente exigiam uma explanação devido à nossa tenra idade.

De vez em quando havia até uma ou outra história de terror ou sobrenatural, que a vó jurava ter ocorrido com uma vizinha ou um conhecido na miúda vila de Trás os Montes.

A experiência dos meus ouvidos infantes era evidentemente outra diante da exata mesma história contada muitos anos depois! Agora, adulta, observo nuances antes intocados de contos que se repetiam às vezes dias seguidos!

"Vó! Conta a história da vaca de novo!" 

Esses dias eu estava retomando a leitura de antigos cadernos e me deparei com um pedaço delicadamente rasgado de página com um dito popular:

"Castanheira do meu avô
  Oliveira do meu pai
  Vinha minha"

Hoje eu compreendo o jogo de palavras referente à duração do plantio à colheita de castanha, azeitona e uva.

Que rica enciclopédia viva herdamos nessa família!

E que sorte a minha de ter a vó tão saudável e lúcida hoje pra me contar mais e mais vezes a história da vaca e outras tantas.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Diálogo

- Desculpe, mas não é permitido fotografar neste local, senhor.
- Não? Por quê?
- Porque o local não é apropriado.
- E que local é apropriado?
- Escute, senhor: aqui não pode.
- ...
- Ah, senhor? Também não é permitido fumar aqui.
- Ora, e por quê?
- Não é local apropriado, senhor.
- Então é apropriado para fazer o que?
- Só sei que não pode fotografar e nem fumar, senhor.
- ...
- Senhor, vá me desculpar, mas comer também não pode, não.
- Ah, claro... Imagino que não seja local apropriado.
- Isso mesmo, senhor. 
- ... 
- Senhor?
- Sim...
- O senhor pretende ficar aqui parado por quanto tempo?
- Por quê?
- Também não pode ficar parado neste local, senhor.
- Talvez o cavalheiro esteja me sugerindo que eu saia daqui, certo?
- Senhor, desculpe, mas não tenho autorização para sugerir.



- Ensaio de: A Metamorfose do Processo, Caderno de Poesia nº 3

Por Fernanda Serpa, 2003.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

2 de junho: Dia de Itália

Dia 02 de junho, na Itália, comemora-se o dia de sua Repúbilica.
Em homenagem a essa nação com um cardápio tão inspirador, compartilharei nesta semana uma receita das minhas preferidas: 

Capeletti ao Pesto.


Para a produção da massa, são necessários os seguintes ingredientes e procedimento:
900 g de farinha de trigo especial
100 g de semolina
10 a 12 ovos tipo grandes
50 ml de azeite
10 g de sal
15 g de açafrão ou cúrcuma
rolo para abrir a massa


Peneirar a farinha com sal. Misturar os ovos ao óleo e adicioná-los à farinha e misturar com a mão até ficar homogêneo. Proteger com um pano úmido até o momento da utilização.

O recheio pode ser de sua preferência, mas vou sugerir aqui o de carne:
1/2 kg carne moída refogada (acém, braço, patinho)
salsinha (quanto baste)
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
sal (quanto baste)
pimenta (quanto baste/opcional)
A carne moída pode ser refogada com um punhado de cebola e alho. Após a carne pronta e fria, bater todos estes ingredientes em um processador até obter uma pasta. Porcionar pequenas bolinhas a partir desta pasta para o recheio.

Abrir a massa com rolo e cortar com modelador redondo (tipo de bem casado). Em um disco da massa, colocar o recheio e cobrir com outro disco de massa. Nas bordas, é recomendado passar clara de ovo ou água para selar o fechamento. Levemente, com as mãos, vá modelando a massa até parecer um chapeuzinho. Pressione as bordas para um fechamento perfeito (se você já fez pastel, já sabe como é...)
Sempre, durante o manuseio da massa, vá polvilhando a superfície de trabalho e as mãos com farinha.

Leve à fervura em uma panela bem grande de água até ficar al dente. Retire da fervura com uma escumadeira (aquela colher grande com furinhos) e jogue imediatamente em água bem gelada (com gelo) para interromper o cozimento. Reserve até o momento de servir. Se for servir em seguida, não precisa fazer essa temperagem. É só aplicar o molho no prato e comer!

O molho: 70% do charme está aqui!

50 g alho picado
500 ml azeite de oliva
200 g pinoli picado (nozes podem substituir)
1 maço de manjericão picado (rúcula pode substituir)
300 g parmesão ralado fino
200 g queijo pecorino ralado fino
Sal a gosto

Bater tudo no liquidificador até obter textura pastosa. Esse molho é servido em temperatura ambiente sobre a massa e também pode ser aplicado em sanduíches e várias opções de finger food. Se você está se perguntando o que é finger food, essa fica para o próximo post!

Mangia che te fa bene!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Arte e a Tradição

Cozinhar é, sem dúvida, uma arte. E o chef, o cozinheiro, o profissional do alimento domina este dom majestosamente, como se já tivesse nascido com essa bênção.

 Hoje eu tive uma epifania ao me aventurar por uma cozinha que não faz parte da minha tradição: a japonesa. Testando a receita de harumaki*, percebi que não bastam o dom, a arte natural. É também necessária a rotina, que vem da prática. É essa prática que funda a tradição, passada por gerações para transformar aquele alimento em uma perfeição.

 Lembro-me de um episódio do programa Que Marravilha de Claude Troisgos, em que ele foi desafiado por uma família a fazer uma empanada tradicional. Ele falhou no teste! A receita dele ficou deliciosa, mas não era uma empanada. Era um prato com muito mais aspectos franceses do que uma empanada argentina pediria.

Meu harumaki ficou bom, mas não é um harumaki. E é dessas experiências que podem nascer novas descobertas, novos sabores!

Vamos nos aventurar! Não só na cozinha, mas na vida, porque ainda há muito a ser descoberto e a resposta não está apenas na tradição.

*Harumaki: rolinho primavera (bras.), spring roll (USA).