domingo, 28 de março de 2010

Tinta no Papel


Atravessa-me ardidamente a vontade
de espalhar no papel a tinta,
perdidamente contestada à ponta da esferográfica.

Atravessa-me qual a lança ao corpo no inimigo o desejo
de juntar de volta toda essa tinta espalhada
e ver que dá em nada.

Vou expurgar o embrulho
que alarga meu ventre e abafa-me a garganta.

Essa ânsia não me alcança. Está ex-tinta.

(poesia de 2004 – editada da segunda versão/ caderno 2)


Um comentário:

  1. Sim, Fernanda. Arde
    Mas não passa vontade, não.

    Chora e sangra.
    Pois a lágrima janela afora, não sobe,
    Mas a dor o tempo absorve
    E a tinta vermelha estanca.

    ResponderExcluir