sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Prólogo de Anticristo

Caiu-me bem e pareceu até que ele escrevia exclusivamente para mim o trecho:

"Este livro destina-se aos homens mais raros. Talvez nem possa encontrar um único sequer que ainda - ele usa um tempo verbal de quem está desacreditado integralmente da humanidade, pessimista e solitário - esteja vivo. Estariam eles entre os que compreendem o meu Zaratustra - sim -? Como poderia eu misturar-me com aqueles a quem hoje se presta ouvidos - se ele soubesse que compartilho do mesmo sentimento na maior parte do tempo... -? Só o futuro me pertence. Há homens que nascem póstumos."

- Friedrich Nietzsche, O Anticristo - 

Basta.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Menu dos Anjos

O que nos leva a definir o próximo passo e decidir o movimento seguinte? Arriscar: azar, sorte, tudo ou nada.
E decidi. Deu medo, mas parece que o sucesso está aguardando minha carona nessa estrada.

Degusta-me: http://menudosanjos.blogspot.com/

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nuclëar Fröst na Gringa

Nuclëar Fröst é uma banda paulistana quem vem buscando seu espaço nacional nas noites sujas de São Paulo. Pois foi organicamente que veio à tona toda a situação na gringa.

Eu, que aprecio a arte alternativa, recomendo: Nuclëar Fröst

sábado, 2 de outubro de 2010

Pai

São lágrimas para os outros
e o motivo mesmo nem se banha nelas.
Nem sabe de sua existência...
Saberia?

Um crescente medo dilata-me os poros.
Dói.
Há qualquer semelhança
Com aquele monstro.
Aquele que eu criei...

Silêncio berrante, errante.
Tenho medo de desfazer tudo
e que nada nele se mova.
Por que se moveria?

E se ele um dia for sem aviso?
Morro junto, e com isso!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Exposição pessoal nas redes sociais

É o 'bom dia', é a descrição de uma frustração, um atraso no trânsito, uma demissão, a briga séria com o parceiro, a nova temporada da série pra baixar, novidades de tecnologia, a "Fazenda", o blog do amigo, a expectativa e as pesquisas sobre o próximo presidente, os vexames do planalto, coisa séria, coisa torpe, coisa pop, coisa underground, poesia, desabafo, xingamento... Não há limites de assuntos a abordar nas redes sociais.

E a cada assunto, expomos ideias e conceitos, preceitos do que somos e do que forma os nossos invioláveis ideais.

Twitter, Facebook, Formspring, Orkut e outras nos oferecem liberdade... mas moldam, em quantidade de caracteres ou formatação  - porque não dizer, por preceitos impostos pela mídia - um comportamento quase que confessional. Um arranque, um expurgo tensional... É? Oh... complexo!
Obrigação?
Necessidade?
É de se pensar... Mas já notei que é mais fácil e cômodo o acesso às informações atuais através destas ferramentas. 

Porém, paremos, observemos e contemplemos... Selecionemos o que é de interesse... porque tempo é sabedoria... e não temos sabedoria a perder. Temos?

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Outro Banzé

Ontem o Banzé morreu.
Dócil, alegre e com uma vidinha tão comum e tranquila que chegava a ser entediante para a gente. Mas não para ele! Dá a pata, pega o osso, focinho na janela para dar o "oi" simpático de costume.
Banzé, quatorze anos atrás, veio embalado no colo de seu pseudo-dono, dentro do agasalho de moleton, chegou sonolento e não exigia muito que não fosse um cobertozinho e leite quente.
Apolo, à época, foi quem lhe ensinou a subir a pequena escada de três degraus, enfiando-lhe o focinho por trás para dar um maroto impulso.
Vaí lá, Banzé... Dá mais um daqueles seus "ois" simpáticos para o Apolo por mim.
Saudade...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Defender-se acusando

Em época de eleições presidenciais, somos submetidos a investidas massivas da mídia sobre a agenda e a reputação dos candidatos.

Pois, como um alento contra a imbecialização moral, li na Revista Piauí uma matéria interessante de como funcionam as campanhas da corrida eleitoral, incluindo os virais da internet.

Não costumo usar temas políticos nos meus textos, mas acredito que o fenômeno do ataque e da defesa instauram-se na vida em todos os âmbitos... pessoal, profissional. Por isso, arrisco um post sobre o assunto.

Eis uma das primeiras reações do ser humano quando é confrontado, com verdade ou não: Atacar.

Adianta defender-se acusando? Observo que, na hierarquia de nossas vidas, quem domina a decisão tende para o lado do acusador acuado. É o "instinto" da democracia, a força da igualdade. Afinal, não podemos deixar que o resultado de uma ação seja injusta para uma das partes, podemos?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Do erro e da decisão

Será que vou?
Será que peço para ir
ou simplesmente levanto-me e sumo?
Será que me despeço?
Dou festa? Rio? Choro?

Meus olhos ardem,
minha mente desprende a atenção
e a criatividade está prostituída.
Degenero, gasto, ralo, julgo, imito, condiciono
e nada assimilo nestas ações.
Vão relógio que acelera,
carregue-me pelos seus ponteiros
para um final de dia banal.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Papo às Traças

Em imaginação, me relaciono com Nietzsche como um colega, com quem me encontro esporadicamente em um bar para tomar umas e dialogar. Essa projeção simbólica sugere a maneira como o leio propriamente.

De tempo em tempo, abro um de seus livros - ando estocada no Humano, Demasiado Humano, e tomo um trecho qualquer:

"Desprende-se a arrogância quando se tem certeza de estar entre pessoas de mérito; estar só produz a arrogância" (H.D.H - cap.VI, 310)

Oh, eu sou arrogante! Sim, Nietzsche. Estar entre os demeritados também provoca sintoma inverso. Porém, que põe ou tira o mérito alheio somos nós. Acredito que chegamos a um preconceito forjado ou um abrigo para inseguranças.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Férias

Estou de férias...
Para muitos, este período significa mais horas de sono e descanso. Logo no primeiro dia do meu repouso anual, percebi que, contrariando a maioria, ficar na cama era o que eu menos queria.
Comprar roupas, fazer faxina na casa, experimentar novas receitas culinárias, cortar cabelo, manicure, teatro... A lista é longa!
Obediente ao meu ascendente, Gêmeos, sou do tipo que não para quieta e faz várias coisas ao mesmo tempo. É uma boa para aproveitar o tempo. O dia parece ter rendido mais que suas 24 horas comuns. Maravilhoso!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Van Gogh, poesia em forma de pintura

Vincent Willem van Gogh, ou apenas Van Gogh, como é mais conhecido, faleceu no dia 29 de julho de 1890. Cento e vinte anos após a sua morte, o legado do gênio permanece.


O que poucos sabem é que aquele que foi considerado um dos maiores (senão o maior) artista de todos os tempos não recebeu glória nem louvor enquanto vivo. Fracassado e tido como louco pelos moradores de Arles – na França, onde foi morar já no fim da vida - Van Gogh não tinha dinheiro para se sustentar, andava sozinho e sem amigos.

Além da vida triste e solitária, sua doença psicológica o levou ao suicídio.

Para mim, ele unicamente enxergava a lágrima contida, iluminava com os próprios olhos o céu e antecipava a dor que ele mesmo criara dentro de si, fazendo nas suas telas verdadeiras poesias através dos seus pincéis.

Identifico-me com a sua melancolia e sensibilidade.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Catorze de Junho - Homenagem

Cerremos esta porta.
Devagar, devagar, as roupas caiam
Como de si mesmos se despiam deuses,
E nós o somos, por tão humanos sermos.
É quanto nos foi dado: nada.
Não digamos palavras, suspiremos apenas
Porque o tempo nos olha.
Alguém terá criado antes de ti o sol,
E a lua, e o cometa, o negro espaço,
As estrelas infinitas.
Se juntos, que faremos? O mundo seja,
Como um barco no mar, ou pão na mesa,
Ou rumoroso leito.
Não se afastou o tempo. Assiste e quer.
É já pergunta o seu olhar agudo
À primeira palavra que dizemos:
Tudo.


In Poesía completa, Alfaguara, pp. 636-637

Poesia colhida do blog de Saramago, o Caderno.
Após ter mergulhado no mundo deste autor de um parágrafo só, sofro a perda do gênio. Um humano que, como poucos, inspirou minha criatividade, alimentou algumas das minhas dúvidas, instigou outras. Insubstituível ele será.

Espero ter tempo para ler o restante de todas as suas obras enquanto estiver viva. Luto... Luto.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

No turbilhão da mudança...

Há vezes em que o meu pensamento fica tão introspectivo que passo a analisar cada fato comum da minha vida e das coisas que me rodeiam, transformando-os em verdadeiros exercícios de autoanálise. Estou em um desses momentos, cheia de angústia.

Ontem, assistindo ao seriado How I Met Your Mother, refleti sobre o tema de como as pessoas mudam ao longo do tempo e como essas mudanças constantes assustam o indivíduo. Eu casei, mudei de casa novamente, mudei de trabalho, conheci pessoas e me aproximei delas, afastei outras tantas.
Sempre gostei de mudar, mas também tenho medo das incertezas de cada transição. O mais engraçado é que, ao lembrar do passado, percebo que momentos estáveis e sem mudanças me entediavam e eu facilmente colocava inúmeros defeitos na minha vida. No turbilhão da mudança, eu não tenho muito tempo para reclamar... Estou repleta de expectativas e ansiedade.
Não existe um jeito certo para lidar com mudanças. Acredito que cada um enfrenta à sua maneira, mas sei que pensar sobre o assunto, comparar as situações e escrever sobre isso me ajuda a apaziguar os ânimos.
Sinto a mudança chegar e espero que sejam boas novas, sempre.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Para Dio, com carinho...

Ao saber da morte de Ronnie James Dio, meus olhos enxergaram um dia mais acinzentado hoje.

É triste ver a queda de nossos ídolos. Dio é para mim, mais do que um grande músico: ele reside em mim como ídolo e fonte de inspiração para a vida.
O mundo do rock está em profundo luto e quero compartilhar este pesar.
Obrigado, Dio, por tocar a minha alma com o seu som.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ovação aos Quocientes


Eu, que nem tinha o que dizer,
fui tropeçando em vírgulas e sopetões.
Eu, que nem sabia o que escrever,
acabei rolando o carvão na celulose.

Quando dei por mim, havia um discurso pronto,
uma plateia formada, animada... reanimada
pelas vastas  viagens do meu cérebro.

Eu não vi a bailarina girar nos dois sentidos
e também não contabilizei os quocientes,
mas ainda assim houve ovação.


domingo, 28 de março de 2010

Tinta no Papel


Atravessa-me ardidamente a vontade
de espalhar no papel a tinta,
perdidamente contestada à ponta da esferográfica.

Atravessa-me qual a lança ao corpo no inimigo o desejo
de juntar de volta toda essa tinta espalhada
e ver que dá em nada.

Vou expurgar o embrulho
que alarga meu ventre e abafa-me a garganta.

Essa ânsia não me alcança. Está ex-tinta.

(poesia de 2004 – editada da segunda versão/ caderno 2)


domingo, 21 de março de 2010

A poesia da vida

Houve um tempo em que os pesadelos assustavam mais e o acordar é que era o alívio. Era um tempo de inocência e descoberta.

Fui crescendo... o medo de estar acordada era tanto que o sono era o maior refúgio. Esta época foge à minha memória algumas vezes. Restam diários, que ainda não quero reler.

Hoje, dormir é mais fácil. Ainda há pesadelos, ainda há o alívio do acordar. Mas os medos, agora menores e reais, continuam lá a cutucar.

A cada novo dia, percebo que a realidade e a verdade suprimem o medo, mas trazem junto de si a decepção, a dor, a vergonha, a tristeza e, muitas vezes, a solidão – ou incompreensão. Alegro-me ao saber que há intervalos de alegria e descontração nesta realidade toda.

Sorrio.

sábado, 13 de março de 2010

Hora do Planeta

Há três anos a WWF criou um evento chamado “Hora do Planeta”, que propõe que as luzes se apaguem durante uma hora em um dia do ano. O projeto chama a atenção para o combate ao aquecimento global.


Eu participo desde o ano passado, quando soube do movimento. Neste ano, a escuridão está agendada para o dia 27 de março, às 20h30.


Aqui você tem mais informações.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

hiato

Sinto saudade das pautas...
Ando pouco inspirada.
O capitalismo devorou minha criatividade
e privou minhas epifanias agnósticas.

É fase. Oh! Um Déjà vu!
Todo hiato intelectual é seguido de mudança em mim.

De Pessoa, sempre aprendo que
"a vida passa e não fica, nada deixa e nunca regressa".

Amanhã é sempre uma nova vida,
É, talvez, o fim de outro hiato.