domingo, 9 de agosto de 2009

Sou Inocência dos Anjos

Nasci à porta da igreja,
debaixo da pipa,
na vasta Preguiça.

De lá, de minha terra patrícia,
parti olhando sempre em revés
e deixando, na poeira da estrada,
as lágrimas de minha mãe
a acenar um adeus perdido.

Entre as dores do mundo novo,
ganhei três raras joias.

Eis que nunca darei-me conta,
mas a verdadeira joia rara sou eu,
transbordada em melancolia e romantismo.

Sabedoria da vida e
dor cultivada dia a dia
deram-me, sem que eu saiba,
o dom da poesia.