segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Verdade Buscada (no Google)

Poucos são os abelhudos que visitam a minha doce colmeia.
Dos que cá pousam, ainda menos comentam.

Não costumo ser uma cruel moderadora de comentários.
Ao contrário, me delicio com a sua rara e prazeiroza leitura,
mas eis que hoje vi-me obrigada a declinar um fervoroso cristão, que pretendia,
através de comentários na minha colmeia,"difundir a presença de Jesus".

Ora, eu sei, é época de Natal, mas convenhamos:
pregar no blog alheio é feio, ainda mais se o post não infere a questão.

Não quero magoar a crença de ninguém.
Apenas não uso este espaço para expressar minhas opiniões sobre religião.

A Colmeia de Letras destina-se à literatura e à arte, não ao debate.
Vale lembrar que tampouco cabem aqui brados de "revelação" ou "exortação".
Deixemos isto com o pastor da igreja.

Ao caro abelhudo, tenho a oferecer apenas o mel da erudição,
mas percebi que é preciso parcimônia ao "abelhar".

domingo, 29 de novembro de 2009

Os assentos de cor azul

Os assentos mudaram de cor no metropolitano, mas não mudou a campanha em favor das pessoas com necessidades especiais.
O site Não Espere Sentado divulgou recentemente uma matéria sobre o assunto e um artigo que postei aqui anteriormente foi publicado por eles.

Um gesto nobre que engrandece a cidadania. Parabéns pela iniciativa, parceiros!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A Viagem do Elefante

Saramago me levou a uma viagem,
acompanhada do paquiderme Salomão,
partida de Portugal rumo à Áustria.
Viagem tal que me fez, raro, rir à leitura.

Lembrei-me de uma amiga, amante declarada dos elefantes,
maravilhosas criaturas que são.

Mas o patrício já encaminhou às livrarias
sua nova e, dizem, profana obra.
De que se trata? Caim.
Ansiosa estou para devorar estas outras páginas,
igualmente sem parágrafo,
sem ordem e perfeitamente ordenadas dentro do caos
que o autor assina com estilo exímio.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ela é a Inocência dos Anjos


A lua está laranja
E a noite, nublada.
É aquele final de tarde atrasado do horário de verão.
Ouço, aqui da janela, as crianças a brincar no parque
E os carros passando na sempre agitada avenida onde moro.

Hoje, no dia dos mortos, mostrei à minha avó
A poesia que fiz para ela.
Ela não conseguiu ler até o final
porque os olhos, já comprometidos pelo derrame,
encheram-se de lágrima e nublaram sua leitura emocionada.

Li-a, então em voz alta.
Foi nostálgico e bonito o momento.

Ótima forma de finalizar um final de semana tão comprido como este.
As crianças já não brincam no parque,
A noite instaurou-se de vez.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Meus Amigos - Por Érico Marin

Meus amigos já não são os mesmos.
Alguns estão mais magros,
outros quase casados
e os que não se perderam de vez,
já encontraram seu rumo.

Meus amigos já não são aqueles –
músicos, poetas, loucos, bêbados.
São agora pais, maridos ou funcionários
e os que não são nada ainda,
é porque estão desempregados.

Meus amigos agora são assim:
de vez em quando parecem
os mesmos de antes
e, às vezes, se parecem com aqueles.
Mas são novos, meus novos amigos,
não músicos, poetas, loucos, bêbados,
mas companheiros, companhia, confidentes
que às vezes fazem eu me achar no presente,
de vez em quando me fazem pensar no futuro
e sempre se lembram
que eu não sou mais o mesmo


(Poesia escrita por um velho amigo, um bom amigo que era poeta, louco e bêbado, que já não é o mesmo e me faz lembrar de um tempo que já foi, mas fica aqui, na doce memória.)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Faith against Wall

- Oi.
- Ei! Tudo legal com você?
- Poizé... Agora tou legal sim. Parece que saiu a grande zica. E você?
- Na batalha... e em busca da diversão perfeita! Não tem como. Tá difícil as paradas né? Como tá complicado!
- Sim... diversao perfeita ultimamente é preparar um bolo e assistir um filme debaixo do cobertor com o maridão. A gente vai se adaptando
- Tem sua leveza a parada! É recomendável?!
- Eu recomendo, mas mulher é bicho difícil. Cê tem de saber lidar com as TPMs da vida...
- Você está ntregando a categoria!
- Estou lendo um livro bom: “Confissões de um comedor de ópio”.
- Hummm...
- Já te disse isso antes?
- Não. É de Baudelaire ou comenta a sua obra, né? Enfim... Tá mexendo com você?!
- Tá, sim... é do Thomas de Quincey.
- E o que tá pegando mais para você? É tipo uma daquelas leituras que vêm no momento certo?
- É visceral... indicação de amiga. Precisava de algo forte e real. Daqui a pouco volto ao Nietzsche.
- Camarada bacana! Mas sem overdose literária né?!
- Queria ter mais tempo pra ler...
- Literatura é assim: cura, mas abala.
- É difícil se satisfazer e ganhar dinheiro simultaneamente.
- É a merda! Por isso q tenho buscado me divertir. Algum plano mirabolante pra melhorar o lance?
- To buscando, sonhando um dia publicar meu livro. Pequenos ensaios de coragem, pequenos artigos no blog.
- É... Às vezes desanima, mas não pode parar...
- Nunca.
- Eu agora só penso em me desenvolver em canto, música, artesanato.
- O negócio é tomar breja com os amigos, praticar a conversa.
- É... Sabe..não tenho a paciência tão boa pra idealizar um mundo perfeito.
- Idealiza só um pedaço
- É viver. Viver e já era. Como você lida com isso?
- Mal... mas sou melancólica e depressiva por natureza.
- Quero evitar esse pessimismo em mim.
- É inevitável, meu caro.
- Ah, sei lá... Não quero morrer de câncer ou ataque cardíaco fulminante.
- Meu maior medo é o câncer. Bom... preciso dormir.
- Tá bom. Um abraço!
- Uma boa noite de sono diminui em cerca de 50% a chance de câncer.

(bate-papo trivial na web com um amigo)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Pleonasmo Urbano

Vendo o vídeo do NNF sobre pleonasmo, passei a enxergar o mundo com olhos ainda mais críticos (sim, chatice mesmo). É incrível e horrorizante a quantidade de pleonasmos presentes no dia-a-dia. Selecionei algumas pérolas para garantir a diversão do caro leitor:

“... um grupo de dinossauros selvagens invadiu...”

“... uma biografia sobre a vida do autor...”

“Eu particularmente acho que...”

“O jogador surpresa veio surpreender o adversário.”

“É um ‘plus’ a mais para você.”

“O evento será restrito somente a...”

“Aquela aglomeração de gente, multidões...”

“A grande maioria das coisas...”

A gente nem percebe, mas quando vai se expressar acaba falhando no bom uso da gramática. Infelizmente, não só na fala, que seria até perdoável em alguns casos pela ausência de protocolo, mas na escrita, que exige uma seriedade e o respeito às regras.

domingo, 9 de agosto de 2009

Sou Inocência dos Anjos

Nasci à porta da igreja,
debaixo da pipa,
na vasta Preguiça.

De lá, de minha terra patrícia,
parti olhando sempre em revés
e deixando, na poeira da estrada,
as lágrimas de minha mãe
a acenar um adeus perdido.

Entre as dores do mundo novo,
ganhei três raras joias.

Eis que nunca darei-me conta,
mas a verdadeira joia rara sou eu,
transbordada em melancolia e romantismo.

Sabedoria da vida e
dor cultivada dia a dia
deram-me, sem que eu saiba,
o dom da poesia.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Anda, que passa...

Desculpe a ausência... acho que passei muitas horas no trânsito.

Ignore a impaciência... é escasso o tempo da reflexão.

Perdoe a frieza... o inverno gelou a doçura de algumas orações.

Mas anda que, hora ou outra, volto com o humor rotineiro.

Já passa a cara amarrada...

Dizem que é aquele tal de inferno astral.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Colmeia sem acento

O título de meu blog foi vítima da nova Ortografia... Cai o acento da Colmeia.