sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O melhor do meu pior

Um cego sem choro
Uma árvore sem sombra
Um chão sem árvore
O cardápio sem o apetite
O grito sem a voz
A espera sem o relógio
Um mapa sem tesouro
Um ouro sem tolo
Uma música sem ouvinte
O estilhaço sem a surpresa
A queda sem o amparo
O tiro sem o alvo
Uma eira sem beira
Um pedaço sem inteiro
Um triz sem chance

Menos que nada
Antes de tudo
Um troço aqui dentro de mim.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Amor: substantivo abstrato

Esta terça-feira de sol
Abafada, sufocada
Me provoca com esse ar rarefeito.

Esse bêbado cheirando a cachaça,
Todo engordurado no banco da frente.
Essa janela que não abre
E só faz mostrar o trânsito lá fora.

Não sei, não, mas acho que hoje eu não estou
Nem para romantismo, nem para sonho...
Tive mesmo foi um pesadelo nessa noite.

O amor é mesmo um substantivo abstrato:
Não me faz entender porque ainda quero
Colocar na frente dele um pronome possessivo.