segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Poesia de aniversário

Atrasada, eu sei, mas não podia deixar de ser registrada essa poesia, que minha avó, Inocência dos Anjos, recitou para mim no dia do meu aniversário. 

Dia de Anos - João de Deus
Como que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos? Que tolo!
Ainda se não os fizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo.

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira! 


Inocência dos Anjos: de nome igualmente poético, minha avó é uma mulher romântica e sensível, doce e amarga, antagônica e maravilhosa em um misto de dor e amor. Sua vida toda é uma poesia impossível de ser vivida e apenas feita para ser apreciada por outros que não ela mesma. Se não fosse sua dor, eu estaria certa que ela seria sim uma poesia completa. 

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