segunda-feira, 7 de abril de 2008

Do Conformismo ao Ativismo

“Fique nu para simbolizar algo.
Organize uma greve na escola ou trabalho em protesto
por eles não satisfazerem a sua necessidade
de indolência & beleza espiritual.”

Hakim Bey.


Trabalhar todos os dias, ganhar dinheiro suficiente para tirar algum conforto do capitalismo, ceder a esmola ao mendigo, assimilar instantaneamente as informações do telejornal ou da novela, resumindo para menos de dez ações a rotina diária de vida. Nada que seja muito complicado ou fora do comum.

Descrito assim, o cenário mostra a vida de uma pessoa medíocre, limitada. Mas quantas pessoas que vivem em condições análogas percebem a situação? E, das que percebem, quantas desejam mudar? E das que desejam mudar, quantas sabem o que fazer? E das que têm qualquer vislumbre de como atuar, quantas alcançam o seu objetivo?

Abrangendo as diversas facetas e personalidades existentes, certas vertentes conseguem resumir a postura prevalecente dos integrantes de uma sociedade, independente da crença, costume, profissão, caráter, ética e vivência de cada indivíduo: do conformismo ao ativismo.

O conformismo oferece um fácil caminho da seqüência inquestionável do dia-a-dia. A criança que morre por inanição na Etiópia não é sua. A calota de gelo polar que derreteu não foi aquecida pelo seu carro. Seu país não tem guerra, nem vulcão ou terremoto. A sua novela começa sempre na mesma hora. Sua calçada precisa ser lavada com água de mangueira.

Dar esmola ao mendigo na rua, ajudar uma entidade carente no Natal, assistir ao programa do Ratinho e ficar abalado com a situação de um mundo que não lhe pertence, esquecendo todo o sentimento depois de mudar de canal.

Aos ativistas, todo o resto, toda a intervenção. Não é necessário viajar à África ou à Antártida para salvar crianças ou focas. Nem é prudente lutar por uma causa que não seja sua, já que resultará numa ação hipócrita.

Note alguma situação que te incomode e faça o auto-questionamento: “O que eu posso fazer para mudar?”. A idéia de fazer algo simbólico por si mesmo é tão simples que é aterrorizante.

São incontáveis as opções. Cultivar as manifestações ideológicas, passeatas, protestos, levantes e greves. Fazer teatro de rua, escrever e colar um cartaz provocativo. Fazer um grafite num muro proibido. Crie qualquer ação que choque o conformista. Não importa a abrangência, mas a intenção. Sem arriscar, como você vai saber?

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