sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Da rotina à intervenção



- Tá nervoso porquê? – disse, imponente, o soldado dentro dos seus justíssimos trajes de exercícios.




     Todos os dias da semana eu deixo na escola o meu filho e, na revigorante caminhada da volta pra casa, enquanto o aplicativo do meu celular vai contando os meus quilômetros rodados e calorias perdidas, resta-me tempo suficiente para perceber uma certa rotina: vem o rapaz de bicicleta tentando vencer os obstáculos que não deveriam existir em uma ciclovia colada ao córrego da Avenida Nadir Dias de Figueiredo. Lá, do outro lado da calçada, o senhor com seu irrequieto poodle sempre para e conversa com o borracheiro da esquina enquanto fuma seu cigarro. Aqui do meu lado, o vem e vai dos corredores, maratonistas, aposentados a caminho do Parque do Trote. Vira e mexe alguém me lança um “bom dia”, aliando-me na sua cumplicidade do exercício matinal. Qualquer dia eu entro lá também para prolongar a minha caminhada! E tem também os jovens em roupas sociais, alcançando preguiçosamente o ponto de ônibus com os olhos ainda inchados de sono, a caminho do trabalho no escritório. E o vendedor de sorvetes, magricela, empurrando sem vontade seu carrinho amarelo. Fica um cenário meio que “Show de Trumam” nessa rotina que vai cozinhando a paisagem a cada dia.
     Hoje, porém, essa rotina foi quebrada por um grupo de soldados da Guarda Civil, que rapidamente me ultrapassaram correndo enfileirados, e se direcionavam a caminho da entrada do parque. Vinham ritmados pela rua, confiantes e desimpedidos naquele espaço que pertence aos carros. Ali, logo à frente, notei logo que um deles gesticulava um sinal de “pare” com a mão erguida para os carros que se amontoavam no retorno da avenida. Todo esse alvoroço explicava a ausência de trânsito que parecia rara para o horário naquela via.
     Eu me distraí assistindo a todo esse movimento. Foi então que um dos motoristas dos carros, que não visualizava a situação de forma integral, decidiu meter a mão na buzina para tentar fluir em seu caminho. Imediatamente, a reação veio:
     - Tá nervoso porquê? – disse, imponente, o soldado dentro dos seus justíssimos trajes de exercícios.
     Eu não leio pensamentos, não, mas creio que o motorista se arrependeu ao arrancar numa tentativa de ultrapassagem do carro à sua frente, que obedecia bovinamente àquela mão cheia de autoridade do guarda. Misturando uma sensação de injustiça, pelo claro abuso de autoridade do guarda, com o sentimento de embaraço, houve uma breve discussão, interrompida pela ameaça:
     - Vou anotar sua placa!
     - Anota os números, que eu já guardei as letras na cabeça – disse o colega dele.
     Segui meu caminho na última subida em direção à minha casa pensando na cena toda. E na relevância também de tudo isso. Da necessidade de parar o trânsito para se exercitar em plena via de carros. Da impaciência de aguardar o movimento do carro à frente. Vai anotar a placa e reportar o que? Desacato? São duas as versões da história, mas a única relevante é aquela que carrega o peso do poder com sua palavra final e inquestionável.
     E de toda essa observação, retive meu pensamento à cidade do Rio de Janeiro, que atravessa agora mais uma crise inventada pela política em acordo com a mídia, que repete incansável a palavra “violência” diariamente aos telespectadores, neste cenário de intervenção Federal. Se em uma situação cotidiana distante da realidade da guerra já existe tanta violência desnecessária, imagino a carnificina ao se garantir aos militares agir sem o risco de se submeterem a uma Comissão da Verdade. Agirem sem medo de punição, de auditoria.
     Não é difícil de prever um descontrole iminente quando é evidente que esta condição entrega ao militar, sedento de violência, o julgamento de quem é o culpado e de quem deve morrer. Já nem será preciso alegar legítima defesa. Todos os soldados serão seus próprios comandantes e toda decisão prescinde de uma alçada: Ela agora se torna horizontal.



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Tô de volta!

Gente! Que intervalo longo, né?

Eu estava envolvida em projetos culinários que me distanciaram das palavras. E também confesso que a maternidade prolongou esse hiato...

Mas agora eu tô de volta. Fazendo alguns cursos, me atualizando no mercado.
Quero escrever!

Voltar à poesia, claro. Mas também escrever pra você! É! Você mesmo! E o que eu vou fazer?

  • Currículo e carta de apresentação;
  • conteúdo de sites com relevância na densidade de palavras-chave (SEO);
  • convites, folders, banners digitais;
  • cartões de Natal, aniversário, anúncios digitais;
  • cardápios;
  • revisão de texto (para web, livros, cartas e outros).
Vamo que vamo, né, gente?
Em breve eu dou mais detalhes disso, ok?


Até breve!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Contos Inocentes

Quando eu era criança, minha avó, dona Inocência dos Anjos, me contava as mais variadas histórias de lá, de Portugal.

Tinha de todo tipo:

As engraçadas, desenvolvidas e longas. E aquelas de cunho moral no encerramento, curtinhas e pedantes... Tinha também os ditos, que se resumiam a curtas frases que, normalmente exigiam uma explanação devido à nossa tenra idade.

De vez em quando havia até uma ou outra história de terror ou sobrenatural, que a vó jurava ter ocorrido com uma vizinha ou um conhecido na miúda vila de Trás os Montes.

A experiência dos meus ouvidos infantes era evidentemente outra diante da exata mesma história contada muitos anos depois! Agora, adulta, observo nuances antes intocados de contos que se repetiam às vezes dias seguidos!

"Vó! Conta a história da vaca de novo!" 

Esses dias eu estava retomando a leitura de antigos cadernos e me deparei com um pedaço delicadamente rasgado de página com um dito popular:

"Castanheira do meu avô
  Oliveira do meu pai
  Vinha minha"

Hoje eu compreendo o jogo de palavras referente à duração do plantio à colheita de castanha, azeitona e uva.

Que rica enciclopédia viva herdamos nessa família!

E que sorte a minha de ter a vó tão saudável e lúcida hoje pra me contar mais e mais vezes a história da vaca e outras tantas.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Diálogo

- Desculpe, mas não é permitido fotografar neste local, senhor.
- Não? Por quê?
- Porque o local não é apropriado.
- E que local é apropriado?
- Escute, senhor: aqui não pode.
- ...
- Ah, senhor? Também não é permitido fumar aqui.
- Ora, e por quê?
- Não é local apropriado, senhor.
- Então é apropriado para fazer o que?
- Só sei que não pode fotografar e nem fumar, senhor.
- ...
- Senhor, vá me desculpar, mas comer também não pode, não.
- Ah, claro... Imagino que não seja local apropriado.
- Isso mesmo, senhor. 
- ... 
- Senhor?
- Sim...
- O senhor pretende ficar aqui parado por quanto tempo?
- Por quê?
- Também não pode ficar parado neste local, senhor.
- Talvez o cavalheiro esteja me sugerindo que eu saia daqui, certo?
- Senhor, desculpe, mas não tenho autorização para sugerir.



- Ensaio de: A Metamorfose do Processo, Caderno de Poesia nº 3

Por Fernanda Serpa, 2003.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

2 de junho: Dia de Itália

Dia 02 de junho, na Itália, comemora-se o dia de sua Repúbilica.
Em homenagem a essa nação com um cardápio tão inspirador, compartilharei nesta semana uma receita das minhas preferidas: 

Capeletti ao Pesto.


Para a produção da massa, são necessários os seguintes ingredientes e procedimento:
900 g de farinha de trigo especial
100 g de semolina
10 a 12 ovos tipo grandes
50 ml de azeite
10 g de sal
15 g de açafrão ou cúrcuma
rolo para abrir a massa


Peneirar a farinha com sal. Misturar os ovos ao óleo e adicioná-los à farinha e misturar com a mão até ficar homogêneo. Proteger com um pano úmido até o momento da utilização.

O recheio pode ser de sua preferência, mas vou sugerir aqui o de carne:
1/2 kg carne moída refogada (acém, braço, patinho)
salsinha (quanto baste)
1/2 xícara de queijo parmesão ralado
sal (quanto baste)
pimenta (quanto baste/opcional)
A carne moída pode ser refogada com um punhado de cebola e alho. Após a carne pronta e fria, bater todos estes ingredientes em um processador até obter uma pasta. Porcionar pequenas bolinhas a partir desta pasta para o recheio.

Abrir a massa com rolo e cortar com modelador redondo (tipo de bem casado). Em um disco da massa, colocar o recheio e cobrir com outro disco de massa. Nas bordas, é recomendado passar clara de ovo ou água para selar o fechamento. Levemente, com as mãos, vá modelando a massa até parecer um chapeuzinho. Pressione as bordas para um fechamento perfeito (se você já fez pastel, já sabe como é...)
Sempre, durante o manuseio da massa, vá polvilhando a superfície de trabalho e as mãos com farinha.

Leve à fervura em uma panela bem grande de água até ficar al dente. Retire da fervura com uma escumadeira (aquela colher grande com furinhos) e jogue imediatamente em água bem gelada (com gelo) para interromper o cozimento. Reserve até o momento de servir. Se for servir em seguida, não precisa fazer essa temperagem. É só aplicar o molho no prato e comer!

O molho: 70% do charme está aqui!

50 g alho picado
500 ml azeite de oliva
200 g pinoli picado (nozes podem substituir)
1 maço de manjericão picado (rúcula pode substituir)
300 g parmesão ralado fino
200 g queijo pecorino ralado fino
Sal a gosto

Bater tudo no liquidificador até obter textura pastosa. Esse molho é servido em temperatura ambiente sobre a massa e também pode ser aplicado em sanduíches e várias opções de finger food. Se você está se perguntando o que é finger food, essa fica para o próximo post!

Mangia che te fa bene!


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Arte e a Tradição

Cozinhar é, sem dúvida, uma arte. E o chef, o cozinheiro, o profissional do alimento domina este dom majestosamente, como se já tivesse nascido com essa bênção.

 Hoje eu tive uma epifania ao me aventurar por uma cozinha que não faz parte da minha tradição: a japonesa. Testando a receita de harumaki*, percebi que não bastam o dom, a arte natural. É também necessária a rotina, que vem da prática. É essa prática que funda a tradição, passada por gerações para transformar aquele alimento em uma perfeição.

 Lembro-me de um episódio do programa Que Marravilha de Claude Troisgos, em que ele foi desafiado por uma família a fazer uma empanada tradicional. Ele falhou no teste! A receita dele ficou deliciosa, mas não era uma empanada. Era um prato com muito mais aspectos franceses do que uma empanada argentina pediria.

Meu harumaki ficou bom, mas não é um harumaki. E é dessas experiências que podem nascer novas descobertas, novos sabores!

Vamos nos aventurar! Não só na cozinha, mas na vida, porque ainda há muito a ser descoberto e a resposta não está apenas na tradição.

*Harumaki: rolinho primavera (bras.), spring roll (USA).

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Alimentação saudável

A rotina parece sempre crescente e mais pesada para a sociedade, que acaba esquecendo de cuidar da saúde. Exames médicos periódicos para um check up geral, exercícios (sem exageros e monitorados por um profissional) e boa alimentação são algumas das profilaxias para um corpo saudável e funcional.

Não se trata de fazer dieta, mas sim de ter um estilo de vida. É aquele velho e verdadeiro ditado: você é, sim, o que você come!

Um dos chefs que mais se importam com isso e tomou frente desse moto é Jamie Oliver. Sigo dicas dele e tenho tido ótimos resultados! São receitas práticas, saborosas e cheias de nutrientes equilibrados pra família! E eu, que amo cozinhar, consigo juntar essa prática com resultados favoráveis.

Além de cozinhar em um programa de TV, ele também dá palestras. E a mais incrível delas foi realizada no TED.  Vale conferir!

Veja o vídeo aqui.



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

sentimento analítico

Dia desses eu vinha dizendo que estava sem tempo para dedicar aos dramas da minha vida. Sim, lembro-me bem que eu disse não ter mais tempo para esse romantismo ao qual eu me envolvia tão facilmente.
Fiquei surpresa ao ver, resumido e pronunciado por mim mesma, uma nova vertente surgindo em meu ser.

Se eu endureci com tantos sofrimentos ou apenas cresci, não importa! Estou gostando dessa nova receita.

Sem promessas: lido com o agora.
Sem imediatismos: o futuro há de ser planejado com coerência.
Sem brutalidade: há beleza e felicidade nas mais simples coisas.
Sem complicação: se não serve, me desfaço daquilo.

Feliz vida nova.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Reclamação - O Estado de São Paulo (revistas e jornais)

Hoje, dia 06 de dezembro, por volta das 15h45, eu recebi o telefonema da atendente Luana, do Estado de São Paulo, que informou que a empresa está com uma campanha e me ofereceu a assinatura do Jornal O Estado de São Paulo. Eu receberia o primeiro mês gratuitamente e a partir de 10 de janeiro, passaria a pagar mensalidades pelo serviço. Após explicar os detalhes, me passou para uma outra atendente, que validou meus dados bancários, endereço, CPF, etc (ela se chama Camila). Esta, por sua vez, me transferiu para um outro rapaz (não me lembro o nome), que validou novamente os dados já conferidos anteriormente e me "parabenizou" pela aquisição da assinatura. Para minha surpresa, ele informou que me transferiria novamente para a quarta pessoa, alguém da área de qualidade (não entendi ou não prestei atenção). Antes de me transferir, ele pediu para que eu "mentisse" quando a pessoa que estava prestes a me atender perguntasse se fui bem atendida, sob a desculpa de que se ele fosse mal avaliado, poderia ser demitido. Eu retruquei: "você tá brincando comigo?". Ao que ele respondeu que não, insistindo para que eu o avaliasse bem. Apesar de me atender bem, achei tudo isso muito estranho. Nesse momento, decidi cancelar a assinatura. A pessoa que me atendeu por último me informou, após uma tentativa de retenção, que faria o cancelamento e que, para qualquer problema, um atendente entraria em contato comigo. Pois, às 17h aproximadamente, o atendente Leandro entrou em contato para confirmar a venda. Ao que eu confirmei meu desejo de cancelamento por desistência ou arrependimento da compra. Aí é que cabe a reclamação: Leandro não só se recusou a cancelar o pedido, como disse, em tom de ameaça: "Eu estou com os seus dados, não vou transferir a ligação". Ainda afirmou que eu não podia cancelar uma vez que o cadastro havia sido feito. Quando eu mencionei o Código de Defesa ao Consumidor e o PROCON, ele, irritado e ríspido, informou que estava cancelado o pedido e que meu cadastro ficaria "em aberto". Eu pedi o número do chamado, ao que ele respondeu, também ríspido, que o chamado não tinha número. Me senti ameaçada, destratada e desrespeitada pelo Leandro. É claro que você, como consumidor, pode se arrepender de uma compra e cancelar, devolver, estornar a qualquer momento. Espero que esta empresa não volte a me oferecer produtos e fico muito receosa de como são tratados os atendentes pela política da empresa, já que um deles me mostrou um grande medo de ser demitido.

É importante que você, consumidor, sempre conheça seus direitos e deveres.